segunda-feira, 22 de abril de 2013

Volume 4 - Capítulo 2 - Parte 5 e 6

Capítulo 2

5


John e o monge retornaram logo depois que Naru deixou a Sala de Reuniões.

“Como está indo?”

“Quem sabe? Não seria tão ruim se eu soubesse.”

Realmente…

John também inclinou a cabeça. Enquanto marcava a planta da escola no quadro branco, ele disse, “Por hora, embora eu tenha feito orações, de acordo com as instruções de Hara-san, não parecer ter surtido efeito…”

De repente, uma imagem cruzou minha mente. John estava jogando água benta. Os pálido espíritos brancos deixaram aquele lugar e foram para outro local.

“Não posso dizer com certeza, mas talvez eles tenham escapado…”

“Ha?”

“Nada. Ah, certo. Ei, eu sou capaz de reverter feitiços?”

John e o monge olharam um para o outro.

“Vocês dois acham impossível?”

“…Um simples.”

Depois que eu terminei, John disse, “você deve ser capaz de fazer o básico, e tem o método de jogar sal e dizer ‘Em nome do Senhor, eu ordeno a você, espírito do mal, que vá’. Mas Mai-san é cristã?”

“Não.”

“Se esse é o caso, talvez fazer isso não vá funcionar.”

“Isso é…”

Se for eu, é impossível… Como o esperado.

“Por que você veio com isso de repente?” O monge perguntou incrédulo.

“É possível que eu precise usar… Algo desse tipo…”

John e o monge trocaram outro olhar.

“Se deixarmos Mai conduzir exorcismos, você não acha que estaremos todos condenados?”

MER*A.

Quando eu estava prestes a gritar com o monge, ele repentinamente disse para mim, de maneira sincera, “Com os dedos para dentro, junte-os e coloque um sobre o outro.”

…?

“Assim.”

O monge me mostrou como entrelaçava os dedos, com a palma para for a, e dobrou os dedos para dentro formando um monte.

“Desse jeito?”

“Depois, coloque seus indicadores e os polegares juntos na vertical.”

Parecia a posição usada por ninjas ou algo assim. E os dedos doíam um pouco.

“Este é o Selo de Acalanatha. Mantenha a posição do selo corretamente, diga, ‘naumaku, sanmanda, bazaradan, kan’.”

“Ha?”

“Naumaku, sanmanda, bazaradan, kan.”

O monge rapidamente escreveu as palavras no quadro branco.

“Tente praticar isto. Diga isso três vezes sem parar.”

“En… naumaku, sanmanda, bazaradan, kan…?”

“Se, depois que disser o encantamento, o espírito não desaparecer, faça isto.”

O monge liberou o selo, levantou o indicador e o dedo do meio de sua mão direita e os prendeu com sua outra mão.

“Forme o Selo da Espada, se concentre.”

“Ok. Assim?”

Eu tentei imitar as ações do monge.

“Não está mal. Este é o mais fácil. Não vá morder a língua sem querer por estar impaciente.”

“Sim~”

“Diferente do cristianismo, isto funciona até com quem não acredita. De qualquer forma, dê o seu melhor..”

Isso foi uma indireta para John? Você realmente diz muitas coisas redundantes…

“Ok. John, vamos para o próximo lugar. ‘Não Há Chuva, Mas a Água Cai.’…”

O monge se voltou e olhou para um cartão que eu tinha escrito.

“A Sala de Impressão do Primeiro Andar.”

O dedo do monge procurou pela localização da Sala de Impressão na planta do andar que estava no quadro branco.

“Aqui está.”

Aquele lugar é…

Acidentalmente me lembrei do sonho que eu acabara de ter.

A voz de Naru no sonho. “Aquilo é o mal.” As luzes flutuantes agourentas. A sala em que elas estavam.

“Vocês não podem ir lá.”

Não pude deixar de dizer.

“Eh?”

O monge e John se viraram para me encarar. Frustrada, eu disse, “Deixe aquele lugar por enquanto. Vocês poderiam ir à Sala de Preparação Musical primeiro?”

Embora o monge parece estar pasmo, ele aceitou o cartão que eu lhe entregava silenciosamente.

“‘A Sala de Preparação Musical Onde Barulhos são Ouvidos’? Vamos, John.”

“Sim.”

6


Enquanto eu conferia o (desaparecimento) dos passos dos dois, inclinei minha cabeça pensando.

Por que eu disse aquilo...? Aquilo era apenas um sonho. Não tinha um significado especial. Isto não deveria… O que acontecera na Sala de Impressão era que frequentemente a água ficava pingando e criava poças por todo o lugar. Era apenas um incidente desse nível; nada que pudesse ser considerado “sinistro” tinha acontecido.

Mas…

Quando não conseguia mais raciocinar, a porta da Sala de Reuniões se abriu, e Yasuhara apareceu.

Ele obedecia as ordens de Naru, e correu por todo o lugar movendo o equipamento.

“Terminou o trabalho?”

“Sim. Se está se referindo às ordens que eu tinha que cumprir.” Yasuhara disse, sorridente.

“Você gostaria de uma xícara de café?”

“Ah, eu faço isso.”

“Não precisa, sempre foi meu trabalho fazer o café.”

“Se esse é o caso, eu realmente deveria fazer o café. Você não fica entediada fazendo o trabalho que sempre faz?”

Wa. Desculpe por perturbar você~

“Sobre isso, Taniyama-san… A causa era aquela que esperávamos – o Kokkuri?”

“Parece que sim.”

“Hu… É muito injusto. Kokkuri e outros parecidos, são, obviamente, jogos que são praticados em todos os lugares.”

“É verdade, Naru disse algo desse tipo.”

“Parece ser muito popular na escola fundamental que minha irmã frequenta. Mas essas coisas estranhas só acontecem na nossa escola.”

Sim.

“Mas o Kokkuri popular nesta escola é muito estranho. É chamado de Worikiri-sama, certo?”

“É? Embora eu não saiba dos detalhes, parece que é muito complicado que seja isso ou aquilo. Sem dizer que este lugar dá uma sensação estranha.”

“Complicado?”

“Sim. Diferente do Kokkuri regular, este parece ter vários regras. Por exemplo, o papel não pode ser usado mais de uma vez.”

“Ele~ Realmente é muito estranho.”

“O papel usado deve ser jogado num santuário ou algo assim. E tem a entonação de encantamentos…”

“Worikiri-sama, Worikiri-sama… algo assim?”

“Não é assim. Como é mesmo…? Eu só escutei isso algumas vezes. ‘Oh~Worikirittenantara’ ou algo assim.”

“O que é aquilo, ah, isto?”

Eu imediatamente me senti estranha.

“Era tão estranho quanto o esperado? Talvez este método só seja usado na nossa escola.”

“Eu sempre achei isso estranho; Kokkuri e o que não… Onde todos aprenderam este método?”

Yasuhara inclinou a cabeça.

“Boa pergunta. Talvez alguém ouviu isso em algum lugar... Seria interessante investigar isto. ‘Com quem você aprendeu a jogar Worikiri-sama?’ ou algo parecido. Tem que ter alguém que inventou isso.”

“E ainda há pessoas jogando o Kokkuri normal?”

“Não deve haver muitos. Lá pelo outono todos estavam jogando Worikiri-sama. Às vezes algumas pessoas chamavam Worikiri-sama de ‘Kokkuri-san’ ou ‘Cupido-san’ etc, logo no começo. Isso, não diziam que Kokkuri-san causava assombrações? Então ninguém mais jogava isso. Depois alguém disse que Worikiri-sama não causava assombrações, e que os passos eram bem complicados. E eles disseram que se você seguir as regras é completamente seguro.”

“Então foi por isso que você jogou?”

“Minha curiosidade é muito forte. Eu sempre quero experimentar uma vez.”

“Posso entender isso… Em retrospectiva, a quantidade é realmente exagerada. Por que sera que é tão popular?”

“Se nós analisarmos as razões para a popularidade disso, você veria que não é um grande problema. Talvez seja algo assim: talvez seja porque os passos sejam muito diferentes. Olhe, você vê aqueles papeis? Separados, eles são pouco estranhos. As pessoas pensam que é uma novidade.”

“E é?”

A expressão de Yasuhara ficou um pouco mais séria.

“Embora haja outras explicações, ‘alunos reprimidos querendo liberar o estresse’ e esse tipo de explicações, não são convincentes; porque isso vai virar um problema de alguma maneira.”

“Yasuhara-kun… Não posso deixar de sentir que você é muito sábio.”

“Sim. Tenho sido chamado de ‘homem velho’ por algumas pessoas. Por causa do meu apelido, isto é ‘Echigo-ya’.”

“Eh… Echigo-ya?”

“Sim. Eles dizem que eu pareço um velhinho gentil, mas eles não podem dizer o que realmente estou pensando lá no fundo.”

Talvez seja isso… Lá no fundo…

“É hoje.” Yasuhara disse de repente.

“Eh?”

“O décimo segundo dia. Hoje à noite. Pra ser mais exato, amanhã de manhã. Vai haver mais um incêndio na sala com fechaduras especiais.”

Ele disse isso como se fosse algo inevitável.

De repente lembrei do sonho que tive.

“Talvez… Não na sala com fechaduras especiais.”

“Eh?” Yasuhara perguntou suspeito.

Ah… nada bom…

Eu movi as mãos freneticamente.

“Isso… Não há um significado profundo nisso... Eu só senti repentinamente que dessa vez isto poderia ocorrer em outro lugar... Deixa pra lá. Como a Sala de Vídeo…”

Não havia um significado profundo, porque isto for a apenas um sonho. Primeiro, porque eu não sei se Masako e Ayako realmente visitaram a sala com fechaduras especiais. Além disso, o monge e John basicamente exorcizaram todos os lugares onde ocorreram os incidentes que saíram nas reportagens.

“Você é uma pessoa que tem sexto sentido?”

“É por isso que eu disse, ah…”

Isto é realmente problemático…

“Eu já disse que não é nada importante. É que nos casos anteriores meu palpite estava certo. Não é como se eu pudesse detectar espíritos ou algo parecido…”

Não é… Eu acho que não... Talvez…

domingo, 7 de abril de 2013

Volume 4 - Capítulo 2 - Parte 4

Capítulo 2

4


Na escola as lições continuavam como se nada tivesse acontecido, todos pareciam abalados.

Eu fui a única que ficou na Sala de Reuniões. Ser deixada de lado era um pouco solitário, e, talvez, um pouco assustador; de algum jeito, eu não conseguia me acalmar. Respirando devagar, eu organizei os relatórios do dia anterior.

As histórias estranhas e onde aconteciam. O conteúdo dos relatórios de cada testemunha visual. Eu usei uma cartolina bem grande e os separei por tipo, e não pude deixar de bocejar.

Ah… Isso não vai prestar. Estou com sono. Na noite passada fiquei acordada até tarde, e também trabalhei bastante. E agora estou muito entediada… Não devo dormir. Tenho que me estimular. Se Naru me pegar dormindo, não sei o que diria.

Fui pega por um forte ataque de sono.

Sem razão alguma, minha garganta ficou extremamente seca. Eu desejava uma bebida gelada.

Eu lembrei que tinha uma máquina de refrigerante no final do prédio…

Eu me levantei e fui até o corredor.

Eu olhei vagamente os arredores.

O corredor era amplo e vazio. Não sei se era porque eu estava viajando ou porque o céu estava escurecendo, mas a visão à minha frente era uma cena estranha e parada. A luz do sol era bem fraca ao entra pelas janelas do corredor. O final do corredor estava envolto numa escuridão misteriosa. Estava coberto por uma cor preta muito forte; parecia que o anoitecer havia caído só ali. No meio da escuridão havia lago branco se movendo.

“…?”

O branco era o rosto. Só o rosto era visível já que ele usava roupas pretas.

O que… Na verdade, era Naru. Não me assuste desse jeito.

Naru andou devagar até mim. E como se estivesse sincronizado com seus passos o corredor ficava mais escuro. Na escuridão total, só a silhueta de Naru era claramente visível.

“O que foi”

Alguma coisa tinha acontecido?

Naru sorriu. Um pequeno sorriso. Então o sorriso ficou tenso imediatamente.

“Este lugar é muito perigoso… Mai, é melhor você não ficar aqui.”

“Como pode ser isso?”

“É verdade. Há espíritos vagando por todo o lugar.”

“São tantos assim?”

Lembrei do sonho da noite anterior: espíritos cobrindo a escola como neve.

“Sim. Embora todos estejam conduzindo exorcismos, praticamente não há efeito.” Ele disse, franzindo um pouco o cenho. Depois, “Olhe.”

Ele esticou seus dedos pálidos e apontou para o chão. Seguindo seu dedo, olhei para o chão negro como piche.

“Ai…?”

Quando recuperei o foco, pensei que o chão tinha ficado transparente.

Ao lado meu pé, era como se linhas brancas tivessem sido desenhadas no chão preto, como o contorno do quadrado de um ladrilho de cerâmica. Abaixo disso, através do chão transparente, o chão do Segundo andar era visível. Lá também estava tudo envolto pela escuridão. O chão de lá também estava transparente, e eu podia ver o chão do corredor do primeiro andar abaixo dele.

“Ai?!”

Quase cai no chão. A sensação era como se eu estivesse suspense no ar. Se não fosse pela mão de Naru me segurando, eu teria desabado lá embaixo.

“Não é nada, se acalme um pouco.”

“No que isso se transformou agora?”

Olhei ao meu redor. O céu estava preto. A escola que era cinza, agora estava preta. Em contraste, o que era preto ficou branco – as janelas do próximo prédio da escola, as árvores que estavam nuas por causa do inverno.

O chão e as paredes de todo o lugar ficaram transparentes. Como se fossem os negativos de uma foto empilhados juntos. As únicas pessoas que permaneciam nesse mundo de negativo eram Naru e eu.

“Ei, isto é…”

Naru me interrompeu.

“Olhe de perto. Há vários espíritos pairando.”

Olhei ao lado do meu pé. Um espaço escuro e vazio. As linhas do chão, as linhas das paredes, e os contornos dos prédios – só esses eram brancos. Como se tivessem sido desenhados com tinta branca num papel preto – o composto de um colégio transparente. Abaixo do meu pé era tudo transparente – o segundo andar, o primeiro andar, os corredores, as salas.

Por cima, objetos translúcidos flutuavam e liberavam uma luz pálida. Eles pareciam ilustrações de espíritos num livro, com suas caudas brancas, e se moviam como se estivessem fluindo, dez, vinte... Eram incontáveis. No Segundo andar, bem de frente para mim, havia oito deles.

“Tantos… Todos são espíritos?”

“É verdade. Olhe…”

Naru ergueu sua mão e apontou para fora da janela. Do lado oposto ao contorno branco que sobrou da parede, estava o prédio onde ficava o Ginásio. O Ginásio também tinha ficado transparente, deixando só um contorno branco.

Em frente ao Ginásio tinha uma sala pequena. Essa era a sala com fechaduras especiais. Havia duas figuras lá dentro. Eram Masako e Ayako.

Masako se aproximou de um espírito enorme perto de um armário com prateleiras e parou. Aquele espírito parece maior e mais escuro que os outros espíritos.

Masako apontou aquele espírito, e Ayako começou a brandir seu rosário de jade. O espírito escuro e pálido flutuou levemente para escapar, e saiu pela janela. Nem Masako ou Ayako notou nada disso.

“Como pode ser isso?”

“Ele escapou. Escapou para outro lugar… Olhe.”

O espírito fugitivo continuou voando, e foi para o Bloco Leste, onde nós estávamos. Ele flutuou para uma sala pequena no fim do Segundo andar, e passou perto de um espírito branco que vagava numa curva. Aquela era a Sala de Vídeo…

O espírito enorme e o pequeno, foram cercados por espíritos broncos que circulavam os dois. Suas caudas se entrelaçavam. Logo, o espírito pequeno foi tragado pelo maior. Parecia que o espírito maior crescera um pouco, e que tinha fica um pouco mais escuro.

“Que repugnante…”

“Sim. Realmente, é uma visão desagradável: espíritos devorando outros espíritos. É por isso que eu disse... Que esse lugar é muito perigoso.”

“Mas…”

“Eles crescem simples assim… Depois…”

Os dedos de Naru desceram até um ponto abaixo dos pés dele. Através do chão transparente, olhei para uma sala no primeiro andar. Havia espíritos naquela sala também. Embora eu os chamasse de espíritos, talvez fosse melhor chamá-los de luzes flutuantes. Um pouco afastado do meu pé, havia algo que parecia um pedaço pântano escuro, com uma cor agourenta. E era imenso. Era como se tivessem cavado um poço enorme no meio da sala.

“Aquilo é o mal… você entende?”

“Sim.”

Só a cor já fazia sua pele se arrepiar. Aquilo tinha um desejo extremamente maligno.

Eu observei o espaço preto, imóvel. Os espíritos brancos flutuando ao redor da escola – alguns deles foram para o lado das luzes flutuantes pretas. As luzes flutuantes pulsavam em ritmo como um coração. As chamas flamejantes se estendiam, surpreendendo os espíritos menores, absorvendo eles. Era exatamente como uma planta carnívora prendendo insetos mais fracos e os devorando.

“É melhor você volta.” Naru disse para mim.

“Mas, não posso fazer isso, voltar por mim mesma.”

Naru me olhou preocupado.

“Então precisa que alguém te ensine a reverter o feitiço.”

“Alguém como eu, é capaz disso?”

“Se fosse uma pessoa mais fraca… Você precisa ter mais cuidado, e não ir a lugares perigosos.”

“Ok.”

Olhei para meus pés. A estranha cena que nunca terminava. Luzes flutuantes pretas eram perigosas. Confirmei sua localização. Havia duas no primeiro andar deste prédio. No Bloco Leste havia cinco. O Bloco Sul tinha quatro. Enquanto olhava para essas, a área ao lado dos meus pés ficou mais escura. O cenário que eu via antes lá embaixo ficou mais fraco, a cor voltava ao chão abaixo de mim. Aos poucos, o chão voltou a entrar em foco.

“…?”

O chão. Azulejos de plástico marrons. Havia piso por toda a parte.

“Mai!”

Ah!

Ergui minha cabeça e vi Naru. Ele parecia zangado.

“Se está cansada, vá dormir. Sua falha é um empecilho.”

“Como você fica agressivo de repente.”

“…? Você está acordada?”

Ele me olhou com suspeita. Se eu estou acordada? Definitivamente, estou…

Ha-

Olhei ao meu redor.

A Sala de Reuniões. A mesa larga. A confusão de papéis empilhada à minha frente. As plantas dos andares da escola presos ao quadro branco. E na passagem da porta estava Naru, me encarando.

… … … …

“Desculpe. Eu estava viajando aqui.”

Droga… Estou com problemas.

“Como está indo a organização?”

“Não terminei ainda.”

“Os outros se comunicaram?”

“Acho que não.”

“Você acha?”

Naru me olhou friamente.

“Você está tentando nos ajudar? Ou está tentando ficar no nosso caminho?”

Esse… Esse cara –

Mas para mim, o investigador preguiçoso que era pego dormindo, não tinha desculpas.

terça-feira, 26 de março de 2013

Volume 4 - Capítulo 2 - Parte 2 e 3

Desta vez nem demorei muito a postar!

Capítulo 2

2

Passamos a primeira noite arrumando o equipamento.

Câmeras de visão noturna, equipamento para registrar a temperatura, microfones, etc; nós os arrumamos nos locais dos rumores estranhos e lugares onde espíritos eram vistos com mais freqüência. De qualquer forma, como não tínhamos cabo suficiente (Me refiro às extensões necessárias ao equipamento) para cobrir todo o complexo da escola, deixamos as máquinas nos diversos locais para tirar fotos e gravar sons, por isso não tivemos escolha a não ser checar um por um para examinar na sala de reuniões. Como sempre, a preparação do trabalho foi bem problemática; o posto de manutenção que arrumamos também deu trabalho; rapidamente me cansei dele.

Quando terminamos o trabalho e entramos, já era por volta de três da manhã.

Ayako, que não nos ajudou, tinha entrado bem antes e já estava aconchegada em lençóis na sala de trabalho. Mesmo quando eu entrei na sala, ela não levantou. Apesar disso, eu troquei de roupa rapidamente e mergulhei abaixo dos lençóis frios.

Depois disso, eu tive um sonho inconcebível.


Eu estava andando na escola à noite.

Salas escuras; corredores escuros. Não havia uma alma à vista; era um complexo escolar em completo silêncio. Eu não sabia onde estava. Estava um breu.

Eu senti que tinha alguma coisa e estudei o ambiente ao meu redor. Notei uma porta à minha frente.

Instintivamente, eu abri a porta. Uma brisa fresca me golpeou. Era o telhado.

Examinando o telhado, vi uma figura num dos lados.

“Quem está aí?”

Eu juntei as palavras questionadoras; ele virou a cabeça.

Era um rapaz com mais ou menos a minha idade. Ele não era alto, e parecia vulnerável. Ele me encarou com olhos sem vida; sua linha de visão voltou a posição que estava para olhar além do telhado.

Ele segurou o corrimão, e olhou, imóvel, para o chão.

“O que você está fazendo?”

Eu andei para o lado dele e perguntei. Ele sussurrou em resposta.

“Estou olhando…”

Para o meu “olhando o quê?” ele não deu resposta. Eu segui sua linha de visão e olhei. Ele continuou a olhar, imóvel, para o complexo da escola. Por algum tempo, nós dois, juntos, olhamos o complexo da escola.

Escuro, janelas pretas. Podíamos ver algo branco flutuando na parte de dentro.

“O quê?” Eu pensei, enquanto meus olhos encarando aquela coisa. Luzes brancas. Elas passavam pela janela com facilidade e flutuavam por ali. Elas eram redondas, arrastando uma calda muito longa. Elas pareciam não ter peso;  as luzes brancas pareciam fluir.

Assim que pensei nisso, luzes brancas também apareceram no andar de baixo. Olhando além, elas também estavam no andar seguinte. Elas estavam na janela seguinte e na janela depois dessa também. Virando para olhar para trás, elas também estavam no campo.

Num instante a escola estava cheia de espíritos. Deixando uma calda de luz branca, eles voavam por todo o lugar. Eles também estavam ao meu redor. Ele parecia estar mais sério.

“Você está… olhando para isso?” Eu perguntei ao garoto silencioso que observava

Ele assentiu. Um leve sorriso apareceu no canto de seus lábios.

“Você não está com medo?”

“Eu estou muito feliz.”

“Feliz? Por causa desse tipo de coisa?”

Mas aqueles eram espíritos! Como podia estar feliz com este tipo de cenário?

Ele me encarou de volta com um sorriso satisfeito.

“Extremamente feliz.”

Mas, aqueles eram…

De repente sua expressão foi escondida por uma sombra escura. Ele olhava para mim constantemente, lábios separados. Esses olhos constantes reluziam de uma forma radiante e sombria.

Ele estava sorrindo. Os cantos de seus lábios se ergueram. Era um sorriso sinistro.

“Eu estou extremamente feliz. Não há sentimento melhor que esse.”

Quem é você?

Quem, exatamente, é você?


De repente eu estava acordada.

Eu sentei, ao meu redor tudo ainda estava escuro. Eu podia ouvir Ayako respirando suavemente.

Eu olhei para o relógio perto do meu travesseiro. Eu não tinha dormido nem dez minutos.

O quê? O que diabos foi aquele sonho?

Eu tentei lembrar do rosto do garoto. Era um rosto que eu nunca tinha visto antes. De qualquer forma, não era uma pessoa que eu conhecesse.

“Que estranho…”

Eu afofei meu travesseiro, e deitei mais uma vez. Dessa vez, meu sono não foi perturbado.

3


Ainda exaustas da noite anterior, fomos acordadas por alguém de forma rude, cedo de manhã.

Grunhindo, eu abri a porta. Do lado de fora da porta, estavam algumas garotas; elas tinham ouvido sobre a chegada dos psíquicos, e correram para perguntar as novidades antes das aulas começarem.

Não é como se eu não entendesse o que sentiam…

Então expliquei a situação para elas. Ontem foi só a preparação para a investigação; a investigação oficial ia começar hoje, qualquer exorcismo só ocorreria depois disso.

Depois de me livrar do grupo de garotas insatisfeitas, eu mergulhei debaixo dos lençóis mais uma vez.

Eu estava quase dormindo, quando alguém bateu na porta.

Eram os cinco grupos de estudantes que vimos no dia anterior. Graças a eles, Ayako e eu estávamos bem e verdadeiramente despertas.

A série de eventos inoportunos não parou por aí.

Quando fui até o equipamento que montamos ontem, para retirar a informação coletada, havia uma grande multidão de pessoas reunidas ao redor. Eles me agarraram e eu fui interrogada. Como isso atrapalharia nossa investigação, eles deveriam manter as mãos longe do equipamento – ele precisa ser manuseado com cuidado. Não há trabalho mais difícil que esse.

Além disso, no meio da multidão uniformizada, nós, forasteiros, éramos muito mais visíveis. Quando andássemos por ali checando o equipamento, seriamos parados por estudantes curiosos.

Todos eles queriam saber até o menor desenvolvimento. Como Yasuhara tinha dito, todos na escola se estavam agitados. Notoriamente, havia lugares vazios nas classes. Os lugares pertenciam aos estudantes que estavam doentes por causa da estação, e a estudantes que estavam receosos de frequentar a escola. A escola estava completamente sem vida. Os estudantes se juntavam em pequenos grupos, e falavam baixo, como se estivessem num funeral.

E, teríamos sorte de ser interpelados pelos estudantes. A verdadeira desgraça era ser flagrado por Matsuyama. Se éramos vistos por Matsuyama, ele fazia comentários sarcásticos. Ele diria um monte de palavras que fariam minhas veias entrarem em erupção, e ia embora com uma expressão de satisfação. Hn. Bastardo.

Depois naquela tarde, Masako, que veio com John no terceiro grupo, foi a mais insatisfatória última gota.

Quando John e Masako chegaram, era por volta de três da tarde.

John Brown, 19 anos, é um exorcista que nasceu na Austrália. Infelizmente ele aprendeu seu japonês em Kansai, e inadvertidamente se torna alvo de zombaria. Pessoalmente, ele é muito bom, o fato de ser um psíquico é uma vergonha pequena (?).

Hara Masako, 16 anos, é uma médium espírita. Ela tem trabalhado ativamente como uma médium desde a sua infância, e é uma personalidade famosa, que aparece na televisão. Embora eu quisesse comentar outros aspectos dela, vou deixar pra lá agora. Ela é, de acordo com Naru, muito poderosa aparentemente.

Depois que os pares terem chegado à base e sido apresentados a Yasuhara, que chegou para ajudar depois das aulas, Naru explicou a situação. Eu estava no canto organizando os relatórios coletados no dia anterior e checando os dados coletados por Lin-san na noite anterior.

Primeiro Naru perguntou à Masako, “Hara-san, qual é o estado da escola?”

Masako parecia melancólica. Parecia não ter palavras, ela estava hesitante por um momento. Com o encorajamento de Naru, ela finalmente falou.

“Eu não estou… Totalmente certa.” Ela soltou a bomba.

Num piscar de olhos nós começamos a reclamar.

“Não pode ser, Masako, isso de novo?”

Masako ignorou as palavras do monge.

“Não é como se eu não pudesse ver nada. Posso sentir a presença deles.”

Parecendo preocupado, o monge protegeu sua cabeça com as mãos. Ayako e John sacudiram a cabeça, eles estavam sem idéias. Então a expressão de Naru se tornou séria.

Em outras palavras, dessa vez não podemos contar com Masako.

Me deixou um pouco sobressaltada.

Aparentemente, é preciso ter algum talento para ver espíritos. Com espíritos fortes com objetivos claros, há registros que até pessoas sem talento podem vê-los. Mas, para espíritos normais, que existem em silêncio, seria necessário um talento especial para vê-los.

De todos os membros reunidos aqui, só Masako tem esse tipo de habilidade. Isso quer dizer que se não podemos contar com Masako, estamos tão bem como cegos. Isso era realmente preocupante.

“… e essas presenças que você pode sentir?”

Quando um aparente Naru muito frustrado disse isso, Masako mostrou uma expressão contrariada.

“Normalmente os espíritos podem ser vistos claramente, mas aqui… É como olhar uma televisão com o canal mal sintonizado. Tem muita estática misturada… Entendem o que quero dizer?”

En, Não totalmente.

“Posso sentir a presença dos espíritos, e são muitos. Também sei onde estão, mas… o tipo de espíritos eles são exatamente, não tenho certeza. Embora seja certo que alguns espíritos estão presentes.”

Masako disse isso e baixou a cabeça.

“Por mim, eu nunca fui boa em comunicação com espíritos assustadores. Se é um espírito que tem uma conexão especial com uma pessoa ou um local, geralmente não tenho problemas...”

O monge suspirou.

“De qualquer forma… como esses espíritos foram invocados por meio de um jogo, espera-se que não haja uma grande conexão com a escola ou os estudantes... E isso aconteceu de novo, Masako.”

Ele encarou Masako maliciosamente.

Masako encarou o monge.

“Esta é uma situação especial. Não como se eu não pudesse vê-los ou senti-los de jeito nenhum!”

“Sim, sim,” o monge disse, contraindo o pescoço.

Masako franziu a sobrancelha levemente.

“Mas há um espírito particularmente mais forte que posso sentir aqui…”

“Que tipo de espírito é esse?” Naru perguntou. Masako estreitou os olhos, olhando para longe.

“É um espírito masculino, deve ter minha idade...” Um homem… com idade quase igual a da Masako… Quase a minha idade…?

“Posso ver esse espírito masculino de forma clara. Posso sentir uma emoção muito forte. Esse espírito... Talvez algo tenha acontecido nessa escola que o deixou triste. Ele está preso na escola.”

Isso… Não é isso…

Com os olhos fechados, Masako inclinou a cabeça.

“Com certeza não está perto, mas sua presença é forte… Acredito que seja o espírito de alguém que cometeu suicídio. E não aconteceu há muito tempo.”

É o Sakauchi-kun… Em outras palavras, ele está atualmente assombrando a escola…

Minha cabeça ficou calma de forma agradável.

O sonho da noite passada. O garoto no telhado. Aquela pessoa… Quem era ele?

Naru abriu seu caderno de anotações e puxou um recorte de jornal.

“Aquele espírito, é esta pessoa?”

Masako pegou o recorte de jornal e olhou. Coincidentemente Masako estava em pé perto de mim, e eu pude ver o conteúdo do papel ao esticar o pescoço. Era um artigo sobre um estudante do primeiro ano que cometeu suicídio numa certa escola. Havia uma fotografia do estudante no recorte.

De repente, me senti fraca. Aquele era… A fotografia era…

Masako assentiu.

“É essa pessoa. Então seu nome era Sakauchi…”

Naru pegou o recorte de jornal de Masako, o devolve a seu lugar de origem e disse, “Essa… Raiva da escola… É real.”

Naru parecia murmurar para si mesmo. Depois se virou para Lin-san imediatamente, “Lin, qual foi a situação ontem à noite?”

O mencionado Lin-san tirou seus fones de ouvido.

“Há alguns lugares em que a temperatura estava anormal. 3-1, 2-4 e a sala LL tiverem temperaturas especialmente baixas.”

3-1 era a sala de Yasuhara, onde o envenenamento em massa acontecera.

2-4 era a sala em que o cachorro preto aparecera.

“Não há nada anormal com os visuais; os microfones registraram sons em três locais. Diferentemente, eles são a Sala de Preparações Artística, a sala 2-4 e o Depósito do Ginásio.”

Naru deu um golpe na mesa.

“Então é assim, tivemos uma resposta logo no primeiro dia.”

Quando foi aquele incidente… Naru tinha dito “Espíritos são muito tímidos.” Espíritos não gostam de intrusos. Se há intrusos, eles vão se esconder temporariamente.

Entretanto tivemos uma resposta no primeiro dia. Se este era o caso, então…

Naru passou os olhos por todos nós.

“Façam exorcismos nos cinco lugares mencionados para começar. Hara-san, por favor, ande pela escola e cheque os locais onde há espíritos. Matsuzaki-san, por favor acompanhe Hara-san, e conduza exorcismos com o melhor de sua habilidade.”

“Ok.”

Ayako e Masako se levantaram. Naru chamou Ayako, dizendo, “Será melhor se você não se sentir superior aos espíritos deste lugar; por favor, seja mais cuidadosa.

“Mai vai continuar observando daqui, e administrar as comunicações. O monge e John,” Naru olhou para os dois quando disse isso.

“Primeiro vão aos cinco lugares em que houve atividade na noite passada e conduzam exorcismos lá. Depois vão aos locais que Hara-san indicar.”

“Claro.”

“Sim.”

Os dois responderam e saíram de seus lugares.

“Lin e eu vamos continuar investigando lugares suspeitos. Yasuhara-kun, por favor, nos ajude. Mai,”

“Sim!”

Em resposta a minha atitude entusiasmada, Naru me olhou friamente.

“Não fique com preguiça e caia no sono.”

Sim~

quinta-feira, 21 de março de 2013

Volume 4 - Capítulo 2 - Parte 1

Depois de meio século, voltei! Desculpem a demora, mas o negócio tá feio aqui, rs... Os estudos e o trabalho não estão colaborando, mas aos poucos eu consigo.


Capítulo 2 – Dança nas Sombras


1


Quando o segundo grupo, que consistia em Ayako e Lin-san, chegou, já era noite.

Quando chegou à Sala de Reuniões, Ayako exclamou, “Não temos onde nos hospedar?!”

Essa era exatamente a situação. Como esse lugar era muito longe de Tóquio, pedimos à escola para nos fornecer acomodações. Apesar disso, a escola só preparou uma sala de trabalho…

Matsuzaki Ayako, 23 anos, é uma sacerdotisa auto proclamada. Por nenhuma razão aparente, ela é sempre cheia de confiança, mas até hoje, ninguém viu seus poderes. Há alguns que dizem que ela é, simplesmente, inútil.

Ayako me questionou, “O que significa essa situação?”

“Não há nada que possamos fazer. Vamos ficar bem, com apenas duas pessoas por sala. Duas pessoas ocupam o espaço de seis tatames.”

Naru e os rapazes eram dignos de pena, com três pessoas se espremendo num espaço para seis tatames; quando John chegar no dia seguinte serão quarto pessoas dormindo juntas.

“Como eles, se atrevem a não ter nem comida?” Ayako grunhiu.

“Também não podemos fazer nada quanto a isso. Ou devemos apenas esquecer tudo e ir para casa?”

Quando me ouviu dizer isso, Ayako se recusou a me encarar.

Naru, usando uma expressão que dizia “isso não tem nada a ver comigo”, estava discutindo alguma coisa com Lin-san.

Lin-san: verdadeiro nome incerto, idade desconhecida. Eu já o conheço há quase dez meses, mas continuo sem saber seu nome e idade; tudo isso resume a imagem de Lin-san. Pensando nisso com cuidado, Lin-san é uma pessoa mais misteriosa que Naru.

“De qualquer forma o número de aparições é muito grande e nosso equipamentos e recursos estão um pouco reduzidos.” Naru disse muito insatisfeito.

“Amanhã teremos Hara-san para fazer uma inspeção por espíritos, e confirmar a presença deles. Se houver algum espírito, temos o Monge, Matsuzaki-san, e John para conduzirem exorcismos. Lin-san e eu vamos investigar mais locais suspeitos. Quanto à Mai…”

Dizendo isso, ele virou o rosto para mim.

“Basicamente, fique na base e colete, e organize os relatórios.”

“Si~im”

“Mas, se houver alguma descoberta, deve se comunicar imediatamente.”

???

Quando o monge viu que eu estava frustrada como se não tivesse entendido o que Naru queria dizer, ele continuou.

“Você não é a mulher com um sexto sentido?”

“Ah, eu sou?”

Agora que ele mencionou isso, teve aquele incidente, quando um palpite de sorte estava certo. E, de forma inesperada, eles até disseram que isso era uma PES (Percepção Extrassensorial) latente. Xi~ xi~ xi~ (risada)

“Naru-chan~ isso não vai prestar ~~”

Tanto faz. Vocês esqueceram? Olhe, eu sou muito gentil.

“Esqueça isso. Não é nenhuma novidade que Mai é inútil em campo. A última vez foi só um caso especial.”

O tom de Ayako foi sarcástico.

“Então, a verdade é que você está com inveja; só porque você nunca foi útil.”

O rosto de Ayako estava vermelho de raiva.

Vendo os companheiros fuzilando uns aos outros com os olhos, Yasuhara começou a sorrir.

“Eu sempre pensei que psíquicos, etc, eram pessoas muito mais profundas e sombrias”.

“Nosso grupo é especial. Oh sim, Yasuhara-kun, você não tem que ir pra casa?”

“En, não me julgue pela aparência, acho que sou capaz de me virar com o básico. Nesse exato momento, estou pensando em ficar e ajudar.” Yasuhara disse, sorrindo.

A expressão do monge se tornou patética. Talvez ele estivesse imaginando uma cena de cinco homens se espremendo numa sala minúscula.

“Por favor, não se preocupe. Eu peguei um saco de dormir emprestado.”

En~ Que surpresa, Yasuhara é do tipo durão.

“Yasuhara-kun.” O tom de Naru era severo. “Eu realmente aprecio sua oferta de ficar e ajudar, mas é melhor você não ficar. Isso é muito perigoso.”

“Definitivamente, se você acha que eu vou atrapalhar, por favor me diga, e eu vou para casa.” Yasuhara disse, dando um largo sorriso.

Não posso deixar de dizer que ele é uma pessoa muito enérgica. En, me transformei numa fã de Yasuhara.

O começo de um sorriso surgiu no rosto de Naru.

“Se é assim, então nos ajude. Você tem confiança na sua força?”

“Por favor, deixe isso comigo.”

Naru assentiu, e depois disse, “então, Lin e Mai, vão e movam o equipamento.”

Sim~.

 

Um de cada vez, entramos na van parada no estacionamento da escola, para pegar o equipamento.

“Sala LL, 2-4, 3-1, o Vestiário, a Sala de Preparação Musical – arrumar câmeras nesses cinco lugares. Colocar microfones nos outros lugares onde outras histórias estranhas foram repostadas.”

Seguimos as instruções de Naru, movemos o equipamento para os locais designados e montamos tudo. Indo e vindo entre o estacionamento e o complexo da escola, Yasuhara estava deslumbrado.

“Realmente é incrível. Os psíquicos dos dias de hoje fazerem uso desse tipo de equipamento!”

Yasuhara e eu fomos ao Laboratório de Química, onde passos foram ouvidos, e instalamos um microfone.

“Só o nosso grupo é especial.”

Eu sorri de forma amarga. Não havia nada a ser feito, além de forçar um sorriso.

“Para dizer a verdade, eu pensei que os supostos psíquicos pareceriam e seriam mais perigosos, eles ergueriam as mãos e entoariam encantamentos.”

“Também há pessoas que fazem isso. Mas pelo menos, Naru não é um psíquico.”

“Verdade?”

Yasuhara parecia muito chocado.

“Isso é o que ele diz. Ele diz que é só um caçador de fantasmas.”

“Ah, se esse é o caso, eu entendo.”

Minha mão, que instalava o gravador, parou.

“Isso é raro… Normalmente as pessoas não entendem esse tipo de coisa.”

A expressão de Yasuhara era confusa.

“É porque isso já foi o tópico de uma discussão…”

O tópico de uma discussão?

“Sakauchi, não muito depois de se matricular, ele escreveu isso no levantamento de suas aspirações. Ele disse que seu desejo era se tornar um caçador de fantasmas no futuro. Mas pode ser que tenha escrito isso de brincadeira.”

“Sakauchi… é o estudante que morreu no verão…?”

“Sim. De acordo com o que eu sei, ele foi o primeiro estudante a morrer nessa escola desde a fundação do colégio. Houve um período em que todos discutiam esse incidente.”

Yasuhara parecia magoado.

“Não posso evitar pensar… que devíamos continuar quietos. Estudamos na mesma escola, passamos metade do dia no mesmo espaço, e talvez tenhamos varrido o mesmo corredor e passamos um ao lado do outro inconscientemente. Se tivéssemos tido sorte, poderíamos ter nos tornado amigos. É o que eu acho.”

“Sim.”

Mesmo se ele estivesse brincando, ele ainda era o garoto que queria se tornar um caçador de fantasmas. Se ele tivesse nos conhecido, o que teria dito?

“Realmente? Ele era um garoto que se interessava por esse tipo de coisa.” Notado que eu estava um pouco abatida, Yasuhara disse isso de forma encorajadora.

“Ok. Onde devemos ir a seguir, Capitã?” Yasuhara levantou.

“É, ‘o Depósito do Ginásio, onde se Ouve o Miado de um Gato’. Yasuhara-kun, não me chame de ‘Capitã’ ou algo assim.”

“Sendo assim, se você quer que eu seja o menos formal possível, então tenho que chamá-la assim. A verdadeira Taniyama-san deveria ser uma pessoa mais animada.”

Oh oh, já vi tudo.

“Se Yasuhara-kun não fizer isso, então não posso continuar. Porque eu sou a mais nova.”

“Por mim, eu realmente odeio esse tipo de coisa. Não gosto de uma sociedade que diferencia as classes sociais.”

“Ah, eu também.”

“Nós realmente temos muito em comum, Capitã.”

“Sim, irmãozinho. Antes que sejamos repreendidos por nosso chefão super narcisista, é melhor irmos ao próximo lugar.”

“Vamos fazer isso.”

Na escola cheia de rumores desenfreados, Yasuhara e eu caminhamos rapidamente, sorrindo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

hehehe

Oi pessoal!

Ainda estou na minha pausa! Afinal o ano só começa depois do carnaval, certo!? rsrs

Enquanto isso estou pensando nas promessas que deverei cumprir em 2013!

Ainda bem que a Aline está fazendo um ótimo trabalho não deixando esse blog abandonado!

Bom, mas só passei para deixar um link que achei de um pessoal traduzindo (para inglês) os livros do Akumu no sumu ie:

http://midnightreverie.dreamwidth.org/tag/translating

Ainda não li! E também não sei se vou traduzir! Esperar para ver se isso evolui ou não! Pq vou odiar se eles pararem no meio da história e acho que serei odiada se eu parar a tradução para português no meio também!! (eu me odiaria, mas não poderia fazer nada! Meus 3 meses de nihongaku mil anos atrás... Não me permitem traduzir sequer uma frase completa!! Aff. rs) O mangá tbém só tem 2 capítulos em inglês...

Então pessoal, bom carnaval para todos! Divirtam-se bastante, mas lembrem-se de segurança em primeiro lugar! Não encham a cara e saiam dirigindo, ok?! Nada de irem encontrar o Gene antes da hora! rs

Se vcs quiserem a tradução do Akumu mesmo correndo o risco de ficar incompleta me avisem, ok?!

Bjs Susi

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Volume 4 - Capítulo 1 - Parte 6 e 7

Como o prometido, termino aqui o primeiro capítulo do quarto volume, antes do fim do mês. Enjoy it!


6


Com o grupo de Yasuhara liderando o caminho, fomos até a sala - 3-1.

A sala se localizava no primeiro andar do Bloco Oeste. O complexo do Colégio Ryokuryou tinha o formato de um “”, para o norte ficava o ginásio; A sala dos funcionários e a cantina dos estudantes eram adjacentes e ficavam no Bloco Norte; Virando uma curva entrávamos no Bloco Leste, que consistia nas salas especiais; virando outra curva estaríamos no Bloco Sul, onde ficavam as salas comuns. Uma curva depois do Bloco Sul, levava ao Bloco Oeste. Era um prédio de três andares que era composto apenas de salas.

Logo que a porta foi aberta, um cheiro fraco atingiu meus sentidos com força. Era um fedor detestável, como o cheiro de algo podre.

Yasuhara entrou na sala, e se virou para nos encarar.

"Eu praticamente não consigo mais sentir o cheiro, e quanto a vocês, pessoal?"

Naru acenou.

"Não é um cheiro muito forte, mas definitivamente existe um odor."

Bou-san abriu as janelas da sala.

"Mesmo depois de abrir a janela, o fedor não se dissipa."

Estreitando os olhos, Naru examinou a sala. Tocando em cada mesa, ele se moveu pela sala.

"Não há um lugar em que o cheiro seja mais forte."

Yasuhara concordou.

"É exatamente assim. Mesmo que tenhamos procurado com cuidado para encontrar a fonte do cheiro, a sala inteira fede."

Naru assentiu, e depois ele, de repente, ficou parado. Ele virou para olhar na direção do grupo de Yasuhara que estava perto da porta.

"Alguma coisa estranha já aconteceu aqui?"

"Coisas estranhas?"

Yasuhara inclinou a cabeça. A expressão de Naru era severa.

"Como invocações, esse tipo de coisa."

Naru estudou o rosto de todos, o grupo começou a murmurar.

"Ele não está falando de Worikiri-sama?"

"Isso é..."

Se sobrepondo às várias vozes em discussão, Naru disse, "O que é isso?"

Yasuhara representou o grupo para responder.

"Recentemente… Melhor dizendo, desde o começo do Segundo semestre, Worikiri-sama tem sido popular. É isso?"

Essa última frase foi direcionada às garotas que estavam atrás dele.

As garotas concordaram, nervosas.

"Não só na nossa turma, é popular por toda escola - Worikiri-sama, Gongen-sama e outras coisas."

Worikiri-sama...?

"O que é isso?"

Embora eu tenha feito a pergunta a  Bou-san, ele virou para encarar as garotas.

"Eu tenho um comigo, não foi usado." Uma garota tomou a frente. Ela pegou um pedaço de papel da mesa dela.

"Isso."

Ah!

No papel estavam os Cinquenta Sons. Isso é... Kokkuri-san...

Bou-san parecia pensar isso também.

"Isso é Kokkuri-san?"

As garotas começaram a gritar. A garota que nos deu o papel, nos encarava, muito insatisfeita.

"Até parece. Seu suposto Kokkuri-san é para convocar uma raposa, certo? No centro tem uma ilustração de um Torii (pássaro)... E ouvi dizer que Kokkuri-san é muito perigoso, e não deveria ser utilizado de forma casual. Por isso, olhe."

Ela apontou para o símbolo estranho no meio da página. Haviam palavras organizadas para formar um círculo, com as palavras "Sim" e "Não" dos dois lados. A palavra repetida "(Oni; Demônio)" arrumada num círculo e o molde quadrangular dentro dele, davam uma impressão estranha.

"Worikiri-sama é invocar um deus. E é muito preciso ao prever combinações amorosas, etc. Gongen-sama é..."

Enquanto ela falava, Bou-san tomou o papel sem avisar.

"Olhe isso!"

"Como Gongen-sama aparece?"

Bou-san amassou o pedaço de papel e formou uma bola.

"Gongen-sama é um deus invocado. Porque é um deus, ele pode nos ajudar a resolver problemas, etc..."

Bou-san arremessou a bola de papel. Ela bateu na parede antes de cair na lixeira.

"O quê? Há um problema?!"

A garota olhou para Bou-san, com dificuldade.

"Gongen-sama. Tarou-san. Hitofude-sama. Cupid-san. Todos eles são aliados de Kokkuri-san."

"Eh!"

As exclamações não vieram da garota que nos deu o papel.

"O que vocês estava fazendo era real e verdadeiro Kokkuri-san. É a mesma coisa, não importa como você chame isso. Você, casualmente, invocou espíritos, e os tratou como brinquedos."

"Como isso poderia..."

Bou-san parecia furioso.

"Até os não iniciados são capazes de invocar. Qualquer um pode convocar um espírito, mas para mandar um espírito de volta, é necessário prática. Não faça mais isso."

"Mas... todos dizem que se for Worikiri-sama, então não é nada assustador e não importa..."

"Isso é besteira. É por causa de todos vocês que fazem esse tipo de estupidez que esses distúrbios estranhos aconteceram!"

Vendo o rosto de Bou-san, a garota imediatamente ficou deprimida.

"Realmente, em todo lugar é assim. Na turma onde o cachorro preto apareceu, também tinham pessoas brincando com esse tipo de jogos doentios. É provável que eles tenham invocado um espírito de nível mais baixo. A causa do envenenamento deve ter sido algo similar."

"Mas! Worikiri-sama é muito popular pela escola!"

"Bom... Esse cara é muito sortudo, o prédio da escola ainda vai entrar em colapso."

As garotas baixaram suas cabeças.

Naru interrompeu.

"Você diz que ele é muito popular. Quão alta é essa popularidade?"

As garotas encararam umas às outras.

"A verdade é que na escola, todos estiveram fizeram isso."

"Entre os que estão presentes aqui, tem alguém que não fez isso?"

Incluindo Yasuhara, nenhuma pessoa levantou a mão.

7


Nesse momento nos espalhamos e visitamos várias salas, apanhando qualquer aluno remanescente, e perguntando se e quantas vezes eles tinham feito Kokkuri-san.

O objetivo principal da investigação era determinar a popularidade; a proporção de alunos que tinham feito isso; estimar a frequência com que praticavam. A investigação estava mais ou menos complete antes do pôr do sol, então retornamos para a sala de reuniões para tomar um chá.

Como a sala de reuniões não tinha acessórios, Yasuhara trouxe os utensílios para fazer café da sala do conselho estudantil. Depois de usar uma antiga lâmina de aquecimento (heating plate) para ferver a água, eu adicionei o café instantâneo. Lavei cuidadosamente a xícara de chá esmaltada, que tinha o estilo das xícaras antigas do oeste, e apreciei a sensação de nostalgia. Ela deve ter sido usada por muitas gerações de conselhos estudantis.

"Como está?"

Depois de servir o café para todos, Yasuhara sentou. Depois nos sondou.

Se apoiando nas costas da cadeira, Bou-san olhou para sua pilha de anotações, deu um grande suspiro antes de colocá-las sobre a mesa.

"Essa coisa é enorme, que Deus nos ajude."

"Isso é tão sério?"

Bou-san moveu a cabeça, frustrado.

"Todos os estudantes da escola estão fazendo Kokkuri-san."

Seu suspiro foi em direção às anotações.

Aqueles eram os resultados da investigação feita com a ajuda de Yasuhara e seu grupo. De todos os estudantes, mais de 90% fizeram Kokkuri-san pelo menos uma vez, e desde setembro, a maioria deles fez isso em todo intervalo.

Em novembro e dezembro, antes dos estranhos incidentes começarem, a quantidade era baixa. Apesar disso, quem sabe quantas vezes os espíritos foram invocados na escola com sucesso, repetidamente?

"... é culpa dos espíritos que foram invocados. Exatamente, quantos espíritos estão assombrando a escola? Talvez não apenas milhares, talvez dezenas de milhares."

Bou-san soltou outro grande suspiro e se virou para Naru.

"Quero dizer, Naru-chan, você está mesmo falando sério?"

Naru, também parecendo frustrado, olhou para for a da janela, e não respondeu.

"Quer dizer, por que nós simplesmente não desistimos e vamos embora. De qualquer forma é responsabilidade dos estudantes, então eles simplesmente deveriam exorcizar os espíritos eles mesmos e o caso estaria resolvido." – disse como uma criança tendo um ataque de raiva.

"Não posso suportar isso. Fazer Kokkuri-san e o sujeito chama espíritos indomáveis."

Yasuhara disse "relaxe, relaxe," sinceramente.

"Eu entendo o que está sentindo. Por favor."

"Certo. Eu vou te ensinar as formas de exorcizar, e você vai fazer isso."

"Isso..."

O rosto de Yasuhara estava confuso. Eu reprendi Bou-san, dizendo,

"Isso não vai servir, monge! O diretor pediu um favor a nós."

"Por mim, eu não gosto do diretor dessa escola."

"Ah, então você está sendo difícil porque Matsuyama o intimidou."

"Cale a boca..."

Eu desarrumei o cabelo de Bou-san.

"Pobre Bou-san. Sua alma pura foi machucada."

"Exato. Ser injustamente tratado como um vigarista; embora não aconteça com muita frequência. De verdade, é trabalhoso ser usuário de poderes psíquicos."

Bou-san fingiu chorar.

"Se é esse o problema, damos um jeito. Junte todos os espíritos e faça com que se concentrem em Matsuyama, seria engraçado."

"Oh, não é uma má ideia."

En, no momento em que Matsuyama é mencionado, Bou-san presta atenção.

"Eu realmente sinto muito que Matsuyama seja esse tipo de cara."

Não, isso não é algo pelo qual você tenha que se desculpar, Yasuhara.

"Da perspectiva dos estudantes, questões que envolvam esse cara são completamente ignoradas. Todos tentam não ter nada a ver com ele, porque não é como se ele ouvisse a opinião dos outros. Pelo contrário, os estudantes que são mais maduros ao tolerá-lo."

Não pude evitar achar as palavras de Yasuhara incríveis...

Bou-san ergueu a cabeça.

"Yasuhara-kun, você está bem?"

"O quê?"

"Isso é, com você ajudando a gente com nossos pedidos... Matsuyama disse alguma coisa a você?"

"Não se preocupem. Porque minhas notas são boas" – Yasuhara disse isso sorrindo, mas sério.

"No passado ele falou muito. Não estou muito certo de quando foi, mas eu escrevi que meu objetivo era entrar no Departamento de Literatura e Economia, e de repente, ele parou de me criticar. Pessoas que abusam de seu poder são fracas quando têm que enfrentar o poder."

Então foi assim.

Ao descobrir a verdade, Bou-san e eu ficamos impressionados. Eu não sei se Naru estava ouvindo, ele estava olhando para fora da janela parado.

"O que é? Continua pensando profundamente em alguma coisa?"

Naru continuou em pensamento profundo.

"...sim. Não é como se fosse algo profundo, só estou um pouco preocupado."

"Preocupado? Com o quê?"

"Como Matsuyama mencionou, o Japão atual parece ter tornado o oculto popular."

"Assim parece. E daí?"

"Entre as escolas do Japão em que Kokkuri-san é popular, quantas vocês acham que existem?"

Então é isso. "Por que essas coisas estranhas só aconteceram no Colégio Ryokuryou?" provavelmente é o que ele está tentando dizer.

"Entendo o que quer dizer, mas você não acha que a quantidade aqui é excepcional?"

Ouvindo as palavras de Bou-san, a expressão de Naru se tornou mais séria.

"Pessoas não treinadas nem sempre obtêm sucesso em invocar espíritos, mesmo que tentem. Em outras palavras, o número de sucessos é pequeno. Essa é uma escola especial para psíquicos? Mesmo assim, não acredito que a situação progrediria tão rápido."

"Talvez."

"Além do mais, tem a situação atual. Mesmo que todas as histórias estranhas sejam simples mentiras, e a criança na sala LL? O cachorro preto? Os incêndios? Temos certeza que jogar Kokkuri-san invoca espíritos, e entre esses espíritos, há alguns que são poderosos, e incidentes em que eles causam mal não são desconhecidos. Mas, se esse é o caso, a quantidade também é anormal."

"Essa..."

Eu disse. Eu queria perguntar a Bou-san algumas questões básicas. Nessas situações, Naru é, basicamente, inútil. (Nota: mesmo se eu perguntasse, ele não ia responder...)

"É verdade que Kokkuri-san convocaria espíritos?"

"Seria assim, se fosse feito por um psíquico."

"Não aconteceria com aqueles que não são psíquicos?"

"Não. Pra começar, isso é muito arbitrário."

"Pra dizer a verdade... Eu fiz Kokkuri-san uma vez."

"Heh. Até a Mai pode fazer coisas chatas."

"Isso é o que você chama de ignorância da juventude. Kokkuri-san era muito popular na escola fundamental. E depois, essa moda de espíritos chegou… ou melhor, a moeda de 10 yen se moveu, e previu um monte de coisas corretamente. Como você explica isso?"

"En... como eu posso dizer..."

Bou-san olhou para Naru; Naru deu de ombros.

"Mai, tente colocar seu dedo na mesa. Como se fosse jogar Kokkuri-san."

Eu coloquei meu dedo na ponta da mesa.

"Seu dedo está tremendo. Não se mexa."

Eu não fiz meu dedo tremer de propósito. Mas olhando para a ponta do meu dedo, minha mão estava tremendo mesmo, mesmo que só um pouco.

"Mesmo que você diga isso..."

Mesmo que eu tentasse ficar parada, não consegui.

"Entendeu?"

"Huh?"

"O corpo humano é assim."

Ah, é verdade.

"Quando têm muitas pessoas fazendo isso juntas, sob a influência do tremor de cada pessoa, a moeda se move. Kokkuri-san e a Tábua Ouija (nota: Tábua Ouija – usada em comunicação ou convocação de espíritos como uma tábua divina ou profética, similar   a Kokkuri Japonesa. Usando as letras do alfabeto latino e números, Sim/Não, etc. Na tábua, a planchette ((obs: aquela placa triangular que fica no centro da Tábua Ouija e que todos colocam a mão)) se moveria na direção dos espíritos, ou daria alguma mensagem profunda.) etc... a teoria por trás dos dois era a mesma. Todos estão se movendo inconscientemente. E porque é algo inconsciente, o movimento resultante é inesperado."

"En."

Saber disso fez com que eu achasse o jogo sem graça.

"Mas, isso realmente prediz um monte de coisas de forma correta – o que quer dizer?"

"De maneira geral, as pessoas que pensam assim, também pensam, ‘seria muito bom se a moeda se movesse’, certo?"

"Sim – é mais interessante se a moeda se mover."

"As pessoas também pensam, ‘se a resposta da pergunta for a certa, seria bem mais interessante.’ ‘Quantos anos as Mai complete esse ano?’ alguém pergunta. Todos sabem a resposta. Dezesseis anos. Subconscientemente todos estão pensando, ‘ se ela se mover para um, e depois para o seis, seria incrível’, essa esperança no subconsciente dos jogadores faz a moeda se mover. E então ela se move para dezesseis."

"Ela também previu algo que só eu sabia."

"Como o quê?"

"Ela previu o que tinha no meu bolso na hora."

"En. Isso também é de conhecimento geral. O conteúdo do bolso de uma garota: lenço, pente, espelho... as expectativas de cada participante são diferentes. Todos os participantes estão nervosas e pensando rápido. Uma palavra que começa com “c” – chaveiro? Então ela se move para ‘h’. Finalmente vai acabar formando a palavra ‘chaveiro’."

"Exato."

Inacreditável.

Eu peguei o chaveiro do meu bolso.

"Idiota. Ele estava fazendo barulho desde o início."

"Ah, estava?"

"Quando jogamos esse tipo de jogo, vão aparecer respostas que estão certas porque são de conhecimento geral, e respostas que estão erradas. O interessante aqui é a mentalidade humana. Por exemplo, se eu pergunto ‘qual o nome da mãe de Bou-san’. E a resposta que aparecer for ‘Ayako’... Bou-san, a resposta é?"

"É Masayo."

"Não acertou. Mesmo assim, porque em algum lugar da mente humana, pensamos que seria mais interessante se tivesse acertado, ele descuidadamente vai dizer. 'Mesmo que não tenha acertado, de fato, eu conheço alguém que se chama Ayako. Como ela poderia saber isso?'"

"Ah, então é assim..."

"Se a resposta fosse 'Ayayo', mesmo que esteja errado, só o ‘yo’ não está certo; ou se fosses 'Masako', só o 'Masa' já serviria. Se nos perguntássemos se ela acertou, nessas situações, na verdade, nenhuma está certa. Mas os humanos acreditariam que ela tinha ‘acertado’. Além disso, mesmo se estivesse completamente errado, ‘ah, como esperado, está errado’. Porque alguém ficaria surpreso se estivesse certo, deixaria uma impressão duradoura em todos. Numa experiência real, quando fazemos vinte e quarto perguntas, só três serão respondidas certo, e elas não estarão completamente certas."

"Ouvindo o que você diz, acho que é assim que acontece..."

Acho que me senti assim quando joguei.

Bou-san olhou de forma suspeita para Naru.

"O quê?"

"Depois de ouvir seu discurso, me baseando no que você disse, você não acredita em Kokkuri-san."

"Talvez... Pessoalmente, não acredito em Kokkuri-san."

"Eh?! Verdade?"

"Por que você diz isso..."

"Todas acreditam que espíritos sabem tudo. Como, o future de Mai, os pensamentos de Bou-san, os objetos secretamente escondidos no meu bolso, todos pensam que espíritos vão sabre essas coisas, com certeza, mas isso é verdade?"

"Ah," Bou-san e eu dissemos juntos.

"Se Mai morrer e virar um espírito, você acha que saberia essas coisas?"

"Não."

"Exato. Eu, pessoalmente, também acho que não. De forma básica, as únicas coisas que espíritos sabem mais do que os homens são coisas ligadas à ‘morte’ e ao ‘outro mudo’."

En... Então é assim... só as coisas ligadas à ‘morte’; não é algo que alguém entenderia sem experimentar por si mesmo.

"Então, ao contrário de Bou-san, eu acho que Kokkuri-san é só um jogo inofensivo."

Yasuhara, que nos ouvia quieto, interrompeu.

"Mas, e se houver um psíquico poderoso presente? Eles poderiam invocar um espírito realmente?"

Naru deu de ombros.

"É possível. Mas esse psíquico hipotético seria capaz de evitar espíritos do mal. Ele seria capaz de evitar a invocação de espíritos do mal."

Se não pudesse, não seria um psíquico.

"Isso... não está errado."

"De qualquer forma," Naru folheou a montanha de anotações inquieto.

"Invocar um espírito é como ajustar a frequência de um rádio. ‘Uma multidão reunida e espíritos invocados, resulta numa escola recheada de espíritos assustadores’; nessa parte da opinião de Bou-san, eu acho que há um certo grau de verdade. Se os exorcizarmos, mas falharmos em achar a causa, nós podemos assumir que essa é a razão. Até que todos estejam aqui, só podemos exorcizar os espíritos, conforme eles apareçam."

Naru soava como se estivesse muito frustrado.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Volume 4 - Capítulo 1 - Parte 4 e 5

Desculpem a demora, mas a vida anda um pouco corrida. Espero terminar de postar o primeiro capítulo até o fim do mês.

 

4

Em seguida veio o grupo que planejou o exorcismo. Havia oito garotos e garotas no grupo.
Naru perguntou a eles quem era o representante deles. Depois de discutir entre si pela posição, eles finalmente decidiram uma garota chamada Araki Kozue-san para falar pelo grupo.
"Então, Araki-san, por favor, nos conte como o incidente aconteceu."
"Oh, por onde eu devo começar... Minha sala fica no Bloco Leste. Esse suposto “Bloco Leste” é composto basicamente de classes especiais, como o laboratório de química, etc. A sala vizinha a minha é Sala de Preparação Musical. Ela é usada para guardar instrumentos musicais. Barulhos estranhos vieram de lá."
"E esses barulhos estranhos são..."
"Sons de coisas sendo arrastadas no chão; e o barulho era alto e claro. O professor pareceu ter ouvido também e foi até a porta ao lado checar, mas disse que não tinha ninguém lá.
"Também tinham sons sendo ouvidos na sala LL. Embora eu nunca tenha ouvido por mim mesma, muitos outros ouviram.
"Além disso, teve o dia em que minha turma tinha a tarefa de limpar a sala de geografia: quando estávamos limpando, a lâmpada de luz fluorescente caiu. Pelo menos, o tubo fluorescente. De qualquer forma, só um tubo caiu. O tubo despedaçado e os cacos de vidro voaram para todos os lados, então muitas pessoas se machucaram. Embora tenhamos contado isso ao professor, ele só pôde nos dizer para sermos cuidadosos; o problema não estava resolvido."
Ela parecia estar com raiva e assustada.
"E além disso teve os incêndios; todos dizem que eles começaram no outono passado. Pra ser mais exata, eles começaram desde que aquele estudante do primeiro ano cometeu suicídio. Eu estou convencida que tudo isso está conectado, mas a escola não toma nenhuma atitude."
"Então você resolveu cuidar do problema com suas próprias mãos?"
"Sim. Porque se deixarmos as coisas como estão, quem sabe quantas pessoas vão se machucar da próxima vez? Os professores são inúteis. Se fôssemos nós, poderíamos ser capazes de fazer alguma coisa. Diferente do que os jornais e a TV afirmam, não estamos totalmente certos de que esses acidentes são culpa do Sakauchi-kun; Mas não tomar nenhuma providência? Se não fizermos nada nunca saberemos se isso era bom ou mau, então..."
"Então é assim."
"Araki-san conhece Sakauchi-kun?"
"Não. Eu só soube de sua existência depois do incidente."
"Parece que ele deixou um bilhete suicida... você sabe dos detalhes?"
"Sim. Ele ficou conhecido instantaneamente: 'Eu não sou um cachorro'."
Não é um cachorro...
"Você sabe o que isso significa?"
"Acho que posso entender o que ele quis dizer. Porque algumas vezes me sinto como um cachorro ou uma vaca. Sou manipulada da cor do meu cabelo a cor dos meus objetos pessoais; Sou repreendida por coisas como o uso da minha língua e atitude: é como disciplinar um cachorro. Esse bilhete suicida provavelmente se refere a algo assim."
Ah ah, eu entendo aonde ela quer chegar. As regras da minha escola não são rígidas, mas não é como se eu não soubesse o quanto as regras podem ser rígidas em outras escolas. Não faz muito tempo atrás, quando eu ouvi que tinham regras como: "o tempo máximo para demorar no banheiro é três minutos", eu fiquei surpresa: quem fez essa regra tinha pessoas em mente quando a criou?
"E depois eu pensei, Sakauchi-kun deve ter odiado a escola; tem algumas pessoas que disseram ter visto o fantasma de Sakauchi-kun. É por isso que eu penso que os estudantes dessa escola poderiam consolar a alma Sakauchi-kun de maneira apropriada. Mesmo que os professores não permitam que façamos isso. De algum jeito, os professores sempre pensam que uma reunião de um grupo muito grande de estudantes significa que estamos planejando algo que não seja bom."
Eh eh. Se fosse Matsuyama, eu facilmente podia acreditar que ele diria essas coisas.
Naru concordou gentilmente.
"E além disso, vocês sabiam sobre os outros incidentes estranhos que aconteceram nessa escola?"
Eles também relataram incontáveis contos que aconteceram com eles ou seus melhores amigos.
Bou-san, parecendo frustrado, tinha desistido de tomar notas nesse meio tempo.
Depois que o grupo de Araki-san saiu, o próximo grupo foi representado por Miyasaki Masayo-san. Esse grupo afirmou ter sido mordido por um cachorro preto.
Ignorando o monge frustrado e eu, Naru continuou seu questionário pacientemente.
"E então, Miyasaki-san?"
Parecendo pequena, cercada por seus amigos, Miyasaki-san ergueu a cabeça. Seu pé estava amarrado por um curativo branco.
"Por favor."
"Sim. Essa..."
Ela examinou a sala, aterrorizada, antes de começar a falar devagar.
"No começo desse outono, coisas estranhas têm acontecido na nossa turma. Isso é… Ouvimos barulhos estranhos; como o choro de um cachorro, com "he... he..." como o som de uma respiração. Era bastante desconfortável. Depois... quem sabe quando... as pessoas começaram a ter machucados nas pernas. Foi por volta de dezembro. Era como ser mordida por um cachorro, havia até marcas de mordidas."
"Tem alguma vítima aqui e agora?"
Naru examinou o grupo. Um estudante que parecia frágil ergueu a mão.
"Qual era a situação?"
"Isso é, enquanto muito descreviam os sons do cachorro, eu nunca tinha ouvido ele, e pensei que eram apenas mentiras. Então um dia, durante a aula, eu, de repente, senti uma dor no meu pé. Foi uma pontada repentina. Eu examinei meu pé depois da aula e encontrei a marca de uma mordida. Como eu estava usando calças não era grande coisa, só tinha um pouco de sangue; também tinham furos pelo meu uniforme."
Naru assentiu, e virou mais uma vez para Miyasaki-san para que ela continuasse.
"Sim... Depois desse incidente, incidentes similares ocorriam de forma ocasional, mas ninguém nunca viu o cachorro... até pouco tempo recentemente..."
"No dia desse incidente, quem foi o primeiro a ser mordido?"
Naru perguntou. Uma das garotas respondeu.
"Fui eu."
"E o que aconteceu?"
A garota deu de ombros.
"Nada de mais, de repente eu fui mordida por alguma coisa. Mais ou menos outros cinco foram mordidos depois disso. Eu percebi o que tinha acontecido e fiquei de pé em choque. O professor perguntou o que tinha acontecido; eu disse que tinha sido mordida. E depois os estudantes que estavam junto a mim, apontaram para o lado do meu pé e disseram: 'tem um cachorro.' Quando eu olhei para baixo, eu vi um cachorro preto correndo para longe do meu pé."
"Quase todos na sala viram o cachorro?"
Miyasaki-san concordou. Depois sussurrou,
"Na verdade era uma mentira."
Eh?
"Eu quero dizer, o professor disse que ele não viu o cachorro; era uma mentira. Porque o professor fugiu da sala junto com a gente. Contudo, só para constar o professor nunca afirmou não ter visto o cachorro. Depois quando perguntamos ao professor, ele negou ter visto."
Todos os estudantes assentiram em acordo com as palavras de Miyasaki-san.
"Alguém tem alguma teoria sobre a razão do aparecimento do cachorro?"
Naru perguntou. Um estudante diferente disse,
"Inicialmente não era um cachorro, e sim uma raposa."
"Uma raposa?"
"Sim. Por um tempo, nossa escola... eh?"
Ele olhou ao redor. As duas estudantes sentadas dos dois lados dele continuaram de forma urgente,
"Por favor, o que é?"
"Tentar esconder não adianta; uma curta investigação vai revelar tudo."
Ela disse isso, olhando diretamente para Naru.
"Por um tempo, jogar Kokkuri-san (Convocar o Espírito da Raposa) era muito popular em nossa escola. Por causa disso, pensamos que era uma raposa que estava assombrando. Durante esse tempo, antes de vermos o cachorro, todos acreditavam que era apenas uma raposa."
A expressão Naru ficou séria.
"Nossa escola é muito rígida; se fossemos pegos a punição seria severa. Todos jogavam em segredo, era muito popular."
Miyasaki-san disse, gaguejando.
"Provavelmente só alguns poucos não jogaram."
"Há alguém entre vocês que não jogou?"
A pergunta de Naru não recebeu uma única resposta.
Naru assentiu entendendo, e perguntou se eles conheciam outros incidentes estranhos na escola. Como da última vez, tinham tantas histórias peculiares que eu poderia desmaiar.

5

O último grupo a entrar foi o que sofreu envenenamento em massa.
O Presidente do Conselho Estudantil Yasuhara fez com que seis estudantes entrassem, e sentou também.
"Isso quer dizer que Yasuhara também é uma das vítimas?"
Yasuhara sorriu ao ouvir a pergunta de Naru.
"Sim. Eu também sou um dos alunos de constituição baixa'. Seja qual for a pergunta, pode mandar."
Oh sim, estava escrito na reportagem do jornal "nós acreditamos que os estudantes com baixa constituição desabaram por alguma razão". O correspondente deu o seu melhor para racionalizar o incidente. Olhando para Yasuhara ou para os outros, nenhum deles aparentava ser frágil.
A expressão de Naru se suavizou momentaneamente.
"Nesse caso, vou perguntar ao representante de vocês, Yasuhara. Quais são os detalhes?"
"Talvez você já saiba por ter lido nos jornais, o incidente aconteceu no dia 18 de dezembro, segunda-feira, às duas da tarde, no meio da aula."
Direto ao ponto e fácil de entender. Yasuhara realmente é uma pessoa inteligente.
"Quase metade da turma entrou em colapso, para ser mais preciso tinha 19 pessoas.
"No começo da aula teve um aluno que se sentiu enjoado. Assim que ele saiu da sala, de repente, começaram a aparecer muitos outros dizendo a mesma coisa. Eu estava tentando entender o que estava acontecendo, quando, de repente, eu também me senti mal. Desde o começo da aula eu achei que o ar na sala estava ruim de alguma maneira. Tinha um cheiro estranho; nós abrimos as janelas; mas continuamos a discutir sobre qual seria a origem daquele cheiro, então todos estavam inquietos na hora do intervalo, por isso causou uma grande impressão."
"Então foi assim. Vocês sabem a causa?"
"Não. Quando a fornalha funciona mal, alguma pessoa é afetada, mas nada desse tipo; é uma sensação parecida. Eu já comi comida crua e por isso já tive uma intoxicação alimentar e era totalmente diferente desse incidente. Esse incidente não tem nada a ver com intoxicação alimentar. Além disso, a escola usa ar-condicionado, portanto isso elimina a possibilidade de vazamento de gás."
En en.
"Esse fedor continua na sala?"
Yasuhara assentiu.
"Estamos tão entorpecidos por ele, que não sabemos com certeza se continua lá, mas mesmo agora você pode sentir leves traços desse fedor. Quando estudantes de outras turmas visitam nossa sala, todos nos perguntam, 'que cheiro é esse?'
"E têm momentos em que o cheiro, de repente, se torna insuportável. Depois do incidente, também há momentos em que o professor se sente mal primeiro. Nessas vezes, todos evacuam a sala com medo, embora só o professor vá para a enfermaria. E além disso, eu posso dizer que houve várias ocasiões em que o fedor, de repente ficou muito mais forte. Sim, cerca de sete ou oito vezes desde o incidente."
"Houve alguma vítima?"
Yasuhara balançou a cabeça.
"Não. Pelo menos... Inicialmente eu não acreditei que isso fosse um fenômeno sobrenatural. Nossa turma está no primeiro andar; abaixo... Eu quero dizer o que está mais abaixo, isso é, no subsolo tem uma piscina de gás ruim, eu pensei que essa fosse a razão. Entretanto, Eda..."
Yasuhara virou a cabeça para olhar para o estudante perto dele.
"Esse cara jogava sal onde quer o cheiro ficasse mais forte. Depois de fazer isso, o cheiro ruim, de repente, desaparecia. Inferno, se isso fosse explicado como um fenômeno natural, seria muito estranho."
Naru olhou para o estudante que se chamava Eda.
"Por que jogar sal?"
"Ora, não dizem que sal é purificador? Nós jogamos sal quando voltamos de funerais e outras coisas. Então achei que devíamos tentar na escola para ver se funcionava. Depois de jogar o sal o fedor desaparecia instantaneamente."
"Sensação...?"
Ele sacudiu a cabeça.
"De qualquer forma, no fim do dia, eu pensei, as pessoas, muitas vezes, dizem que fazer isso (jogar sal) na escola forçava os espíritos a aparecer, e a razão para o envenenamento é não está clara; Eu sempre senti que havia uma ligação entre espíritos e o que não..."
Naru deu um leve tapa na mesa com seus dedos pálidos.
"Se espíritos estão envolvidos nesse incidente, você tem alguma hipótese sobre a causa?"
O grupo de Yasuhara inclinou a cabeça pensando.
"Eu não sei."
"Realmente? Desculpe incomodar vocês então."
Naru acenou gentilmente na direção de Yasuhara.
"For isso, eu tenho uma pergunta para o presidente do conselho estudantil Yasuhara."
"Sim."
"Quando foi a primeira vez que você notou as coisas estranhas que acontecem aqui?"
Yasuhara fez uma leve pausa para pensar.
"Eu comecei a pensar 'definitivamente tem algo errado aqui' pela primeira vez, com o absentismo em massa. Só... sim, eu comecei a sentir que tinha alguma coisa errada na época do festival cultural."
"Quais são os detalhes?"
"Porque o número de rumores cresceu. Desde o outono, os boatos estudantis falavam de nada além de contos estranhos. Aqui e ali alguém viu um fantasma ou alguma coisa; eu ouvi essas histórias e comecei a me sentir inquieto."
Yasuhara estava bem sério.
"Como tínhamos que arrumar tudo para o festival cultural, todos permaneciam na escola até tarde. Isso é, de repente, todos estavam relutantes em ficar. A mudança nas tendências (atitude) das garotas era muito grande. Normalmente elas ficariam até tarde mesmo se não tivessem nada para fazer. Eu achei um pouco estranho."
Naru assentiu.
"E sobre a série de incêndios que aconteceram antes do absentismo em massa. O que você acha disso?"
"Eu não me lembro da data exata; o primeiro incêndio foi pelo meio de outubro. No início eu pensei que tinha sido iniciado por algum cara brincalhão ou alguém que usou fogo sem ter cuidado. Mas dez dias depois teve outro incêndio. Naquela época os professores estavam ficando um pouco nervosos, a pessoa que fez isso continuava desconhecida. E então, o próximo… "
"Doze dias depois?"
"Sim. Chamar isso de incidente seria muito estranho, e teve aqueles que disseram que não eram incêndios culposos. Os professores, aparentemente, aumentaram a proteção, mas doze dias depois os incêndios continuavam a acontecer. Embora os professores fizessem rondas cuidadosas (na escola), eles ainda não conseguiam identificar o culpado."
"E ainda teve outro incêndio doze dias depois?"
"Sim. Depois eles até usaram os fechaduras especiais que as escolas de garotos usam, mesmo que eles não se importassem mais. Mas mesmo assim houve um incêndio. Nessa época o incidente de absentismo em massa aconteceu; no fundo eu pensei que seria muito estranho se no fim fossem incêndios culposos."
"E desde então há um ciclo de doze dias?"
"Sim. Sempre na manhã do décimo Segundo dia."
"Fechaduras?"
"Estão trancadas."
"Quando vai ser o próximo incêndio?"
"A última vez foi no dia onze, então a próxima deve ser no dia vinte e três. É daqui a dois dias."
Naru estava em pensamento profundo. Ele batia sua caneta esferográfica na mesa e de repente ergueu os olhos.
"Finalmente..." Enquanto dizia isso, ele olhou para o grupo, e perguntou a eles sobre os estranhos rumores. Depois de ouvir a última de suas incríveis histórias, Naru fechou o notebook e levantou.
"Vocês podem me deixar ver sua sala?"
"Sim, por favor."
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